O maior défice do País não é financeiro, nem é democrático, talvez seja neuronal, mas é concerteza de senso comum
Domingo, 16 de Dezembro de 2007
mais um referendo?
 
Não é indiferente referendar ou não o novo tratado da EU.
 
Se for submetido a referendo e for aprovado, é melhor: o tratado fica com maior força política e mesmo algo de constitucional. Note-se que a própria constituição portuguesa nunca foi referendada.
 
Mas se for recusado, não haja ilusões, ficamos fora da EU. Ninguém vai ter paciência para aturar o nosso chumbo, para aceitar um nosso veto. Simplesmente põem-nos na rua!
 
Se não for submetido a referendo, é aprovado no parlamento, com os votos contrários do costume. No problem.
 
Pessoal e politicamente preferiria o referendo, se não tivesse a certeza de que vai sofrer a tendência abstencionista de todos os outros: não vai ser válido por ter uma abstenção superior a 50%. Isso iria enfraquecer dramaticamente a nossa posição na EU, muito mais do que a ratificação parlamentar.
 
Se o parlamento teve legitimidade para aprovar a constituição portuguesa, também a há-de ter para aprovar a constituição europeia.
 
Por isso, embora relativamente contrariado, acho melhor não referendar. O óptimo é inimigo do bom.
 

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publicado por commonsense às 18:34
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8 comentários:
De Orlando a 17 de Dezembro de 2007 às 15:06
A minha opinião está link acima.


De commonsense a 17 de Dezembro de 2007 às 21:41
Meu Caro Orlando,

Sem acrimónia, agradeço o comentário e com o maior respeito discordo dele totalmente.

A minha posição é o oposto da sua. A minha Pátria é a Europa, embora tenha nascido aqui. Por isso, gosto do fim das divisões europeias. Divididos, os europeus não contam nada e serão presa fácil de todos os inimigos. Portugal, sozinho, não tem dimensão nem massa crítica. Tem sim uma história gloriosa e um cultura riquíssima, uma língua falada por 2000 milhões (que não tem sabido aproveitar) e enormes qualidades.

Na Europa há ainda outros portugueses que são também europeus. Fugiram das péssimas condições de vida e das perpectivas nulas que aqui tinham, lamentavelmente mal governados.

Não suporto a cleptocracia organizada que aqui domina e governa, que cobra impostos sobre os pobres (IVA a 21%) para subsidiar o ricos (empresários subsídio-dependentes e banqueiros milionários). Só não fazem pior porque a Europa não deixa.

Penso que nunca chegaremos a acordo nestas matérias, sem prejuízo de podermos continuar a conversar sobre o assunto.


De Orlando a 19 de Dezembro de 2007 às 01:02
Não estamos em todat desacordo:eu acredito na Europa das Nações, e o autor do blogue acredita no federalismo europeu. Nos dois casos, acredita-se na europa de maneira diferente. Para além disso, é um péssimo indício que se decidam estas questões sem se consultar o povo.


De commonsense a 20 de Dezembro de 2007 às 12:23
É verdade que não estamos em completo desacordo. Ainda bem.
Mas acho que não há apenas um modelo federal, nem apenas um modelo confederal. Há uma infinidade de gradações entre ambos e é para aí que a EU vai, sem que se possa prever ainda exactamente onde irá ficar.
Uma federação defende bem os interesses dos Estados, dependendo naturalmente do que ficar constituído.
Não sei bem o que é a Europa da Nações. Há países na Europa que são estados-nação: Portugal, Hungria, Dinamarca, sem ser exaustivo; mas a Espanha, a França e a Alemanha são uma nação? ou são várias?
Já tenho visto defender uma Europa das Nações em que a Catalunha, a Córsega e a Baviera são nações, uma Europa a mais de cem. A questão está a tornar-se dramática, hoje, com a Escócia, que quer o Euro e tem uma posição muito diferente da Inglaterra quanto à profundidade da integração política.
É um debate em movimento que a nós, que somos um estado-nação, não nos afecta muito.
Mais concretamente quanto ao Referendo, acho que descredibiliza o parlamento e entrega decisões importantes a um monte de imbecis. A democracia directa só pode ser usada em coisas muito simples e, sobretudo, com pouca importância, porque é muito vulnerável à demagogia.
E eu receio muito o que pode sair deste referendo: se for negativo, ficamos fora da UE e isso seria uma catástrofe.
Quanto à perdas de soberania. Para mim interessa mais a soberania das pessoas, também chamada cidadania, do que a dos governos. Uma das coisas de que gosto na intergração europeia é o acréscimo da minha soberania pessoal e o descréscimo da soberania de São Bento.


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