O maior défice do País não é financeiro, nem é democrático, talvez seja neuronal, mas é concerteza de senso comum
Domingo, 4 de Março de 2007
Não há uma boa ideia que resista a uma pessoa estúpida

Anda por aí a agitação, vigorosa. O povo está na rua a protestar. O que não protesta entristece: já não espera, desespera.

E porquê? É necessário comprimir a despesa pública. Toda a gente sabe. Porque tanta zanga?

Porque está a ser reduzida de uma maneira estúpida. O massacre do sistema nacional de saúde é um bom exemplo. Começaram por ser fechadas as maternidades; depois as urgências. O que é que fica? A Ota e o TGV!

É óbvio que é preciso reduzir a despesa do Estado e melhorar a competitividade do País.

Mas a despesa do Estado tem muito para comprimir antes de chegar ao que é essencial. Podiam começar nas despesas dos gabinetes dos membros do governo, nos carros, nos cartões de crédito, nos almoços, nas viagens à China para negociar nada com ninguém. Sempre dava o exemplo e ajudava as pessoas normais a suportar o que aí vem. Não podem andar com carros mais pequenos? nem no próprio carro? Não podem ter um governo mais pequeno, num País que tem a população de uma cidade grande e que bem se podia governar como uma câmara municipal? É mesmo imprescindível subsidiar o berardo? 

A Ota e o TGV são dois casos de despesas gigantescas e irracionais. A Ota custa uma fortuna e é construída num sítio péssimo. Porque não em Alcochete, que já é do Estado (não é preciso expropriar), que tem área que chegue e que sobre para todos os futuros aumentos, que tem condições geológicas ideais, que tem acessos já feitos à porta?

O TGV para quê? A Alemanha, a Inglaterra, a Itália, a Holanda, a Bélgica, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a Finlândia, etc., etc., etc.,  não têm TGV. Têm comboios rápidos do tipo «pendolino», como nós temos o Alfa. Em vez de dar 300 Km/h, dá "só" 250 Km/h e custa uma fracção do preço. Quem tiver feito Lisboa-Porto no Alfa, vê-o bem a andar acima dos 200 Km/h (por pouco tempo, bem sei), mas quase sempre muito veloz. Também há troços em que anda devagarinho, e até pára! Porquê, porque a linha não está pronta. Não seria melhor acabar de fazer a linha do Alfa até ao fim, em vez de entrar neste disparate do TGV. Quanto tempo reduz o TGV à viagem Lisboa-Porto ou Lisboa-Madrid? Essa redução de tempo quanto custa? Vale o preço?

Os mais desconfiados acham que é por causa dos negócios e das comissões. Já viram (dizem) o que pode ser o negócio da urbanização dos terrenos da Portela? das empreitadas de movimentação de terras na Ota? etc? etc? etc?

Mas sejamos optimistas. É só por estupidez. Não há uma boa ideia que continue boa, que dê bons resultados, que não se torne uma catástrofe, se for aplicada por uma pessoa estúpida.

A estupidez é uma doença incurável, intratável e não vem na estatística. Mas tem manifestações exteriores: teimosia, obstinação, recusa em ouvir as razões dos outros, rispidez e rigidez na discussão, falta de maleabilidade e de ductilidade de espírito.

Pensando bem ... é preciso recordar que o nosso primeiro ministro só conseguiu fazer um cursinho de engenharia do ambiente ... na Universidade Independente ... o que indicia uma insustentável leveza do QI.

Ainda por cima, insiste em usar o nome de uma das pessoas mais inteligentes que a humanidade conheceu.


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publicado por commonsense às 08:25
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