O maior défice do País não é financeiro, nem é democrático, talvez seja neuronal, mas é concerteza de senso comum
Domingo, 29 de Outubro de 2006
É tão bom ser projectista

A última grande iniciativa do governo, agora, é a do TGV-com-pontes. Além do dito, vai ainda haver uma ou duas pontes sobre o Tejo (depende) e mais uma Gare do Oriente, ou o alargamento da dita.

 

Como toda a gente sabe, não há dinheiro para construir nada disto. E nada disto vai ser constuído.

 

Mas vai ser projectado. Vão ser milhões e milhões em estudos e projectos para os boys.

 

É tão bom ser projectista …


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publicado por commonsense às 17:18
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Segunda-feira, 16 de Outubro de 2006
Bébé: o perseguido político do governo

    

 

Ei-lo. Aí está.                                                             

É o perseguido político do Governo Português.
 
Querem matá-lo. Não assim directamente. É mais cínico e mais sofisticado. Querem autorizar que o matem. Pior: tratam isso como um avanço da civilização, como algo de bem, de libertação da mulher.
 
Mas a verdade não é essa. As crianças pré-nascidas são infinitamente fracas. Estão à mercê. Não têm defesa. Por isso, é fácil sacrificá-las.
 
Todo o cobarde, perante elas, é valente; todo o fraco, perante elas, é forte.  
 
O seu nascimento incomoda e prejudica interesses vários:
 
Prejudica a produtividade das empresas de trabalho feminino intensivo: indústrias têxteis, de sapatos, de electrónica, supermercados, etc. Se for liberalizado o aborto, nunca mais uma jovem operária terá um filho. A pressão patronal encarregar-se-á disso. Principalmente em tempo de emprego precário (recibos verdes) e de falta de emprego. Ao lado de cada uma destas empresas surgirá um abortório, integrado no respectivo grupo de empresas, quiçá através de uma SGPS. E a propaganda do Governo dirá na televisão: o Governo zela pelo aumento da produtividade das empresas. Os patrões aplaudirão. Será mais um Porche por ano.
 
Incomoda as mães (?) que não estão para os ter. Prezam mais o "direito à sua barriga". Têm mais barriga que coração. Mas o bébé não é uma tripa da mãe, nem faz parte da sua barriga. É gente, é uma pessoa, que está viva, que ouve o que se passa cá fora, que sente a dor, que sofre na morte. Sempre me fizeram pasmar aquelas que choram a morte das focas-bébés e matam os seus próprios filhos. E porquê? Porque não têm de dar de mamar às focas-bébés, nem de lhes mudar as fraldas, nem de as levar às vacinas, nem de as pesar, nem de as adormecer, nem de lhes contar histórias e de lhes cantar cantigas para adormecerem, nem de as educarem, nem de se preocuparem com elas todo o resto da vida. É o egoísmo mais perverso. Mas se não querem ficar com os filhos, podem dá-los para adopção. Não é preciso matá-los.
 
Há os casos em que as mães não têm meios para criar os bébés que vão nascer. Mas podem, também, dá-los para adopção. E o Estado tem de assegurar estabelecimentos sérios, bem dotados de meios, onde não aconteça como na Casa Pia, para os cuidar. E não se diga que não há dinheiro. Basta uma ou duas filas de um estádio inútil (como o do Algarve), ou retirar um contingente do Afeganistão.
 
Há também casos em que as mães não podem deixar que se saiba que tiveram (ou que vão ter) um filho. Por razões variadas. Porque são adolescentes e não têm coragem de contar aos pais ou de enfrentar os amigos e colegas, ou mesmo de assumir a responsabilidade de os criar. Ou porque são adúlteras e têm de o ocultar. Mas, nestes casos, nem a lei actual, nem a futura, resolvem nada, porque exigem que o aborto seja feito em estabelecimento público. Ora, quando assim é, as mães (?) querem abortar em segredo.
 
Há ainda casos de gravidez consequente de violação, de perigo de morte da mãe, de malformações do feto. Mas estes casos já estão na lei.
 
Porquê então esta nova investida contra o bébés por nascer? Se há poucos abortos para o gosto do Governo e dos Socialistas, é porque os médicos se recusam a fazê-los. E têm esse direito. Juraram aliviar a dor, curar a doença, evitar a morte sempre que possível. E o que é que lhes traz o aborto? Entra-lhes pela porta uma mãe e um filho saudáveis, e sai de lá um bébé morto e uma mãe despedaçada, gravíssimamente ferida, no corpo e na alma. É o contrário do juramento de Hipócrates. Fazem bem em recusar.
 
Mas, pergunto eu ainda: e o pai? As crianças fazem-se a dois. Têm mãe e têm pai. E o pai não tem uma palavra a dizer? Não pode querer ficar com a criança que a mãe (?) enjeita? Ninguém pensou nisso!
 
É claro que há casos em que se não sabe quem é o pai e, por isso, não é possível o seu consentimento. 
 
Há casos em que o pai (?) também quer o aborto. Mas, nem assim a vontade de tal pai e tal mãe podem ser susceptíveis de o legitimar. O bébé não é sua propriedade e não têm sobre ele direito de vida ou de morte.
 
Há, finalmente, casos em que é o pai (?) que força o aborto, quando não o provoca, mesmo, com pancada. Mas aqui não pode deixar de haver crime.
 
É preciso ainda dizer que usar o aborto como instrumento de controlo de natalidade, de planeamento familiar ou de contracepção “a posteriori”, é uma selvajaria.
É falso - e de má fé - dizer-se que se trata só de despenalizar e não de liberalizar. O aborto já era permitido, mas com condições e prazos. Agora querem que deixe de haver condições e alargam o prazo até um tempo em que a cirnaça já está praticamente formada. É liberalizar e é matar. As coisas têm que ser chamadas pelos seus nomes.
 
O Governo disse que se o referendo não tiver o resultado desejado, fará passar uma lei pelo Parlamento, onde tem maioria absoluta. Então se verá se temos o Presidente que elegemos. Dele exijo – porque o elegi – que vete essa lei e a devolva para ser aprovada por dois terços.
 
Assim abri a minha campanha pessoal contra o aborto. Todas as vidas humanas são sagradas. Nenhuma lei do Estado pode tornar lícita a matança dos inocentes.
 
Abaixo os baby killers


publicado por commonsense às 22:14
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Domingo, 8 de Outubro de 2006
Special renditions revisited
É importante ler o relatório preliminar do Conselho da Europa sobre as actividades clandestinas da CIA na Europa.

Está disponível online em
http://www.carloscoelho.org/dossiers/cia/ver_detail.asp?tipo=4&cia=240

Do que tem vindo nos jornais e do que as autoridades portuguesas e americanas têm dito sobre o assunto, retira-se um claro mal estar e ocultação de informações.

Os americanos dizem que não violaram a soberania portugUesa, nem de qualquer país europeu. As autoridades portuguesas dizem que não dizem ... que não há provas ... disfarçam ...

É evidente que as práticas em questão existiram - aqui ou ali, mais ou menos graves e frequentes - e que foram autorizadas pelas autoridades locais.
As declarações americanas, sempre reiteradas, significam isso, mesmo: eles não dizem que não fizeram; dizem - sim - que não o fizeram sem o conhecimento e sem o consentimento das autoridades locais.

Por isto, não pode deixar de ser exigido às autoridades portuguesas - a começar pelo Presidente da República e pelo Primeiro Ministro, sem esquecer o Ministro dos Negócios Estrangeiros e os chefes dos serviços secretos, polícias, etc. - se existe, ou não, algum documento ou algum acordo, compromisso, protocolo, o que seja - que autorize agentes americanos a executar operações de captura, detenção, interrogatório, transporte ou escala de prisioneiros, suspeitos, etc., em território português - incluindo na base das Lages (que, pelo menos oficialmente, é território português).


Tem de ser perguntado e tem de ser respondido.

É inaceitável que Portugal tenha passado de império colonial a colónia.


publicado por commonsense às 15:36
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Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006
military might

A equação do poder militar é:  meios (soldados + armamento) x vontade de combater.

É um lugar comum, toda a gente sabe.

O que se passa no Iraque é que o americanos têm muitos meios e pouca vontade de combater, enquanto os iraquianos têm poucos meios mas muita vontade de combater.

Poucos soldados mericanos têm muita vontade de deixar o corpo, ou partes dele, no Iraque; ao contrário, os iraquianos lutam com unhas e dentes contra quem entrou por ali a dentro a bombardear tudo e a disparar contra todos.

O resultado começa a desenhar-se.

Não parece que os americanos tenham suficiente military might. 



publicado por commonsense às 12:56
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Domingo, 1 de Outubro de 2006
Regensburg 2

Há coisas de que não gostei nas palavras do Papa.

Não gostei da hostilização que fez do nominalismo e do voluntarismo franciscano: os franciscanos estão fora da hortodoxia? Era necessário ser tão neo-tomista e tão tridentino? tão divisor?

Não gostei da antipatia pelo iluminismo: não foi ele que consagrou muitos dos avanços da humanidade que são indubitavelmente cristãos. Será de andar assim tanto para trás?

Não sei se gostei da estigmatização que fez de uma prática ateia - ou simplesmente agnóstica - de adoptar a base do cristianismo como uma moral social, ou objectiva, ou mesmo subjectiva... sem Deus nem divindade: não é melhor que adoptem esta moral do que outra pior ou mesmo nenhuma? S. Paulo escreveu aos Romanos que os gentios não têm a Lei, mas cumprem a Lei, porque Deus a gravou nos seus corações (Cum enim gentes quae legem non habent naturaliter ea quae legis sunt faciunt eiusmodi leges non habentes ipsi sibi sunt lex qui ostendunt opus legis scriptum cordibus suis testimonium reddente illis constientiam ipsorum (ad romanos, II, 14-16). Não foi esta uma das principais bases da universalidade do cristianismo? Não é isto uma das sua principais vitórias?

Mas não creio que o Papa tenha sido infeliz quando condenou a jihad. Não é que nesse mesmo tempo que referiu, outros cristãos, mais a ocidente, não fizessem a mesma coisa, não espalhassem a fé e o império a fio de espada: nós, portugueses, entre outros.

A crítica à jihad, deixa os furiosos os muçulmanos  radicais e extremistas, mas reforça os que são moderados e civilizados.

Ora, é com estes que deve ser feito o diálogo ecuménico e não com os radicais.

E foi importante que isso fosse deixado claro. É tempo de marcar diferenças, de separar o trigo do joio, o bem do mal, mesmo que isso seja controverso e deixe alguém aos pulos de raiva. Sem medo do incómodo das consequências.

Não foi isso o que fez Jesus Cristo?



publicado por commonsense às 23:16
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